quinta-feira, 19 de abril de 2012

Asterix Cervejaria, boa oferta de rótulos na "praia" da Paulista


Ainda não havia visitado um dos bares com maior oferta de rótulos da capital, a Asterix Cervejaria. Fica na famosa “praia” da Paulista, um conjunto de bares e cafés vizinhos, com muitas mesas na calçada, que começa na esquina da Paulista com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, se estendendo por quase todo o quarteirão.

É um lugar barulhento e apinhado de gente. O Asterix fica no meio da muvuca e não foge à regra. Fui numa quarta-feira depois das 21 horas e ainda havia bastante gente em todos os bares, esticando o happy hour.

A carta de cervejas, embora de apresentação modesta, num cardápio tipo pasta com divisórias de plástico, é bem completa, com descrições sucintas dos diversos estilos e contando um pouco da história de cada um. Pedimos uma Bamberg Kölsch, com 600 ml, que chegou à mesa bem mais gelada do que deveria, o que não ajuda muito na degustação. De qualquer maneira, no Brasil é difícil alguém agir de outra maneira, melhor pedir para o garçom trazer a cerveja e deixá-la quieta uns cinco minutos antes de abrir. O preço: R$ 20,00. O garçom fez o serviço correto, colocando cerveja no copo de maneira apropriada. Depois pedimos uma Heineken de 650 ml, por R$ 8,70, um preço justo, embora o cardápio indicasse salgados R$ 13,00 por ela.

Pedimos uma porção de pastéis de palmito (R$ 21,00 com seis unidades de tamanho médio) que demorou bastante a chegar e não fez sucesso. Com pouco tempero e muito óleo, não chega a ser ruim, mas está longe de agradar. Deveria ter pedido algo com linguiça de javali, já que estávamos na casa de Asterix...

Os preços, no geral, são mais altos que os praticados por outras casas do gênero, chegando a um acréscimo de 20% em vários rótulos. O atendimento é um tanto disperso e confuso. Com preços menores, uma cozinha mais caprichada e um atendimento mais atencioso, ganharia muitos pontos. Do jeito que está hoje, a casa ainda deve uma justa homenagem ao pequeno gaulês dos quadrinhos.

Asterix Cervejaria
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 573
11 3368-5619
www.barasterix.com.br

segunda-feira, 26 de março de 2012

Divulgando meus serviços como sommelier de cervejas

Harmonização e sugestão de cervejas para festas, jantares e eventos
Vinho e espumantes são ótimos, ninguém duvida, mas que tal inovar e também oferecer cervejas no seu próximo evento? As cervejas combinam muito bem com nosso clima e há opções tanto para os dias mais quentes como mais encorpadas, ideais para o inverno.

Aulas sobre cervejas, degustação e harmonização
Desde aulas rápidas de 30 minutos até mais extensas, podendo ou não incluir degustação de diferentes rótulos e até mesmo harmonização com pratos, pois tenho alguns bons chefs como parceiros.

Cartas de cerveja
Para bares e restaurantes, com ou sem a descrição dos rótulos e harmonização dos pratos do menu.

Artigos sobre cerveja
Textos sobre cerveja, seja falando sobre aspectos históricos ou somente focados em gastronomia.

Meus contatos:
e-mail: pinesso@gmail.com
celular: 11 9520-6118

quinta-feira, 1 de março de 2012

Lugares para Beber: Cervejaria Nacional





















Foto: Divulgação

Introduzindo uma novidade no blog, agora também comentarei sobre lugares para comprar e apreciar boas cervejas. Desta vez, o destaque vai para a Cervejaria Nacional,  em São Paulo, aberta em maio de 2011. Fica na Avenida Pedroso de Morais, quase esquina com a Teodoro Sampaio, no coração de Pinheiros, a 500 metros do metrô Faria Lima, o que é muito conveniente para beber e voltar para casa sem problemas com o bafômetro.  No térreo, onde fica a recepção, pode-se ver, através de uma parede de vidro, os belos tanques de inox onde são produzidas as cervejas da casa. Os clientes se acomodam nos dois andares seguintes, amplos, com mesas e balcão.

Trata-se de um brewpub que, em inglês, significa “bar cervejeiro”.  São cinco tipos diferentes e, de vez em quando, o cliente pode saborear uma cerveja sazonal que, como diz o nome, é produzida por tempo limitado. As cervejas levam nomes de lendas do folclore brasileiro, como Kurupira Ale e Saci Stout. Das variedades oferecidas (Weiss, Pilsen, IPA, Pale Ale e Stout), minha preferida é a Pilsen, que apresenta ótimo equilíbrio entre malte e lúpulo e boa drinkability. As outras também agradam, mas nem sempre é fácil encontrar uma Pilsen com mais caráter e personalidade, um estilo mais difícil de ser produzido em condições artesanais.

Minha última visita foi na sexta-feira antes do Carnaval, dia 17. Cheguei seco para provar a sazonal de estilo witbier, belga, bem cítrico e refrescante, mas o lote havia se esgotado poucos dias antes. Na falta dela, provei a outra sazonal, lançada em fevereiro, a Umbabarauma Ale. O nome vem do clássico sacolejante de Jorge Ben (Benjor não dá, né?), lançado em 1976, “Ponta de Lança Africano”, ou apenas “Umbabarauma”.  Trata-se de uma ale bem ao estilo inglês, com lúpulo evidente, realçado pelo dry hopping (dose extra de lúpulo acrescentada ao final do processo produtivo), mas bem equilibrado pelo malte. Os módicos 4,5% de álcool colaboram para a suavidade da cerveja que, embora encorpada e aromática, desce muito bem. Tomei dois copos de 500 ml sem me cansar dela, muito pelo contrário.

Como as cervejas são produzidas ali mesmo, é possível modificar ou corrigir certos aspectos de cada uma delas a partir do próximo lote. Foi o caso da cerveja de trigo da casa, a Domina. Numa primeira visita, há uns dois meses atrás, senti falta das características inerentes ao estilo, estava suave demais. Desta vez, a cerveja estava bem inserida no estilo, mais encorpada, com os aromas de cravo e banana evidenciados.

A cozinha também merece destaque. Durante a semana, no almoço, há sempre um bom prato do dia por R$ 22,70. Noutra visita, provei o bife a cavalo, muito gostoso, no ponto certo. Desta vez, no happy hour, a costelinha de porco com um molho de mel e pimenta vermelha estava ótima, desmanchando, como se deve.

Pouco se fala na importância de beber água enquanto se consome álcool. Mesmo a cerveja deve ser acompanhada de goles frequentes de água, que ajuda o corpo a metabolizar o álcool. Ali, ela é servida de graça e à vontade, geladinha. Outra boa notícia é a promoção no happy hour de segunda a sexta, das 17h às 20h, quando todos os drinques e cervejas são servidos em dobro.

O ar condicionado estava um pouco forte no dia da visita, mas os funcionários, gentis, se prontificaram a diminuir sua intensidade e realmente o fizeram. Parabéns aos proprietários pela iniciativa e sucesso na empreitada. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Palestra no Senac Aclimação: “Vinho, Cerveja e Guaraná: as drogas no divã”.

Muito interessante a palestra no Senac Aclimação, ministrada ontem, com o tema: “Vinho, Cerveja e Guaraná: as drogas no divã”.  A instituição possui um bom respaldo em termos de gastronomia, já que oferece diversos cursos de formação profissional reconhecidos no mercado. Ontem, a palestra ficou a cargo de Alexandra Corvo (na foto acima), sommelière de vinhos e proprietária da escola Ciclo das Vinhas, Henrique Carneiro, professor da USP, especialista em história das drogas, bebidas e alimentação e Emilio Terron, filósofo.

Alexandra Corvo frisou a importância de aprender mais sobre o que gostamos de beber, não para nos tornarmos “enochatos”, mas para nos divertirmos cada vez mais com as sensações e memórias que a boa bebida nos proporciona. Nesse sentido, vamos descobrindo novas uvas, vinícolas, regiões produtoras, criando um repertório que se amplia a cada experiência.

Muito foi dito em um curto espaço de tempo, o que deixou a plateia um tanto atordoada. Vou tentar resumir o que apreendi. Desde a antiguidade, as bebidas alcoólicas foram associadas ao sagrado, seja pelo efeito que provocam, seja pela particularidade de serem “quentes”. Os antigos acreditavam que o corpo era regulado por quatro humores (substâncias) distintos, que iam do mais quente, o sangue, passando pela bile, depois pela melancolia e, por último, pela fleuma, mais fria. O uso de uma substância “quente”, portanto, regularia os humores do corpo, agindo como uma espécie de remédio.

Também foi abordada a questão da dor, algo que, hoje em dia, as pessoas tentam evitar a todo custo, utilizando-se de paliativos como antidepressivos e ansiolíticos. Hoje, a busca desenfreada pela felicidade faz com que as pessoas se fechem aos sentimentos de melancolia ou que entrem em depressão por não alcançarem o conforto material e sucesso profissional que haviam planejado. A felicidade é colocada sempre no futuro, jamais no presente, originando o chamado niilismo reativo. Citando Schopenhauer, o filósofo afirmou que “a vontade de nada passa a ser um nada de vontade”.

Os gregos atingiram um grau de evolução que, em alguns aspectos, se perdeu. A dureza da vida era compensada pela confraternização entre amigos, daí a palavra simpósio (literalmente “beber junto”), onde, após um banquete, os convidados dialogavam lubrificados por taças de vinho. É preciso sentir e enumerar as coisas da vida, dores e alegrias. A pessoa que bebe com moderação certamente terá maior capacidade de apreciar outros prazeres  como a musica, a arte, a poesia, coisas, enfim, que sensibilizam.

A bebida tem a função de filtro ou lente, revelando o que a pessoa é. Beber com parcimônia, para os gregos, era um termômetro de civilidade, um teste de caráter. Era a tal temperança que, séculos mais tarde, teve seu significado deturpado pelos cristãos para algo próximo da abstinência. Hoje, somos orientados a blindar a mente contra os afetos, que, além da acepção de afetividade, também inclui a noção de ser afetado, comovido, tocado. A razão não dá conta de tudo, é preciso dar espaço a outras formas de percepção.

Os temas, como se pode notar, dão muito pano para a manga, não é o caso de me estender aqui, mas a palestra foi muito bem-vinda e espero que novas oportunidades como esta surjam em breve. Só faltou falar um pouco mais de cerveja, quem sabe na próxima...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bela garrafa, conteúdo agradável

Viru
Premium Lager / German Pilsner
País de origem: Estônia
300 ml
5.0%

 Depois da invasão russa com os rótulos da Baltika, eis que desembarca em terras brasileiras uma cerveja produzida na Estônia. Trata-se de um pequeno país que faz fronteira com a Rússia, ao leste, e com a Letônia, ao sul. Ao norte, o Golfo da Finlândia, país que também é banhado pelo Mar Báltico. Feita a ressalva geográfica, voltemos à cerveja. O que mais impressiona, logo de cara, é a bela garrafa âmbar de formato inusitado, de inspiração Déco. É elaborada com maltes da região báltica e lúpulo Saaz, da República Tcheca. No copo, um líquido amarelo com tons de dourado e espuma média. No nariz, aroma de cereais, adocicado e um toque de fermento, que me lembrou algumas artesanais brasileiras, embora de maneira mais sutil. Na boca, sabor agradável, o amargor do lúpulo Saaz se faz presente de maneira discreta, muito bem inserido. Embora não seja algo fora de série, trata-se de uma cerveja com boa presença de malte, bom corpo e excelente drinkability. Li em sites especializados algumas críticas descendo a lenha na cerveja, mas não entendo o porquê de tanta má vontade. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cerveja com adição de abóbora, uma tradição norte-americana


Post Road Pumpkin Ale
Spiced/Specialty Beer
Sazonal – agosto a novembro
5.0%

 Ano passado, quando baixei a série “Brew Masters” (Mestres Cervejeiros, no original), exibida na TV norte-americana, fiquei muito curioso para saber mais sobre as cervejas feitas com adição de abóbora, geralmente denominadas Pumpkin Ales. Embora não seja classificada como um estilo propriamente dito, as origens desta alquimia estão nos primórdios da história dos EUA. Os colonos da época, conhecidos como pilgrims, logo descobriram as muitas propriedades daquela estranha planta de cor alaranjada e a incorporaram à sua dieta. Voltando aos tempos atuais, neste episódio da série, o dono da Dogfish Head Brewery, Sam Callagione, passa o dia em um bizarro festival onde se pode encontrar praticamente de tudo feito com abóbora, até mesmo um concurso de lançamento das ditas cujas com catapultas! Ou seja, nos EUA, abóbora é levada a sério, ainda que de maneira um tanto peculiar.

Na mais recente incursão ao Empório Alto dos Pinheiros, encontrei um exemplar de Pumpkin Ale, denominada Post Road Pumpkin Ale, obra do mestre Garrett Oliver, da Brooklyn Brewery, uma das melhores cervejarias da terra do Tio Sam. Além de abóbora, a cerveja também leva canela e noz-moscada. Ao contrário da maioria de seus compatriotas, Oliver não vai além do ponto nos ingredientes e, mais importante, não abusa do lúpulo. Falarei mais sobre o que penso do uso excessivo de lúpulo em um próximo post.

Ao servir a cerveja, chama a atenção sua bela cor alaranjada, coberta por uma camada de espuma bege. Nos aromas, as citadas especiarias, o dulçor do malte e o herbal do lúpulo. Na boca, uma certa adstringência, provavelmente causada pelo lúpulo, bem marcante, além de especiarias, maçã assada e o adocicado da abóbora. No geral, uma cerveja de excelente drinkability, refrescante, muito boa. Pela elegância, quase poderia ser confundida como uma ale inglesa, talvez até mesmo por ser uma homenagem ao passado (leia abaixo). É produzida entre os meses de agosto e novembro.

Um pouco de história
A Post Road é uma homenagem a estes bravos colonizadores que, no século XVII, já produziam a sua própria pumpkin ale, acrescentando caqui, lúpulo, açúcar de bordo (maple, em inglês), a planta de onde se extrai o famoso maple syrup, geralmente consumido com panquecas. Como curiosidade, abóboras ocas eram usadas como forma para os cortes de cabelo da época. Por isso, os habitantes da Nova Inglaterra foram apelidados de pumpkinheads (cabeça-de-abóbora).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O sabor da Oktoberfest


Fui presenteado pela amiga e cunhada Kaina com um belo kit da cervejaria alemã Paulaner, contendo uma lata de um litro de Oktoberfest e uma caneca com a mesma capacidade.  O estilo Oktoberfest, como diz o nome, é consumido durante os tradicionais festejos na cidade de Munique (sua origem está no texto que fecha esta resenha). O prazer começa pelos olhos, que se encantam com a bonita caneca em baixo relevo. No centro, a logomarca que estampa um padre da ordem que dá nome à cervejaria fundada  em 1634. Na lata, mulheres robustas marcham munidas de várias canecas cheias, bastante apropriadas ao contexto germânico de celebração.

Feita para ser consumida em outubro, quando o frio começa a dar o ar da graça nos campos bávaros, é uma cerveja mais encorpada, com fartas doses de malte e teor alcoólico de 6%. Embora ofereça excelente drinkability, não se trata de algo leve e refrescante como uma Pilsener ou uma Kölsch. A espuma, branca, é abundante quando servida, mas não se mantém, cobrindo com uma fina camada o liquido de cor dourada, de tons mais escuros. No nariz e na boca, percebem-se a forte presença de malte e o lúpulo na dose certa, resultando em uma cerveja muito bem balanceada e elegante. Não se trata de cerveja de alta complexidade, fato que não a desmerece de maneira alguma. A quantidade, um litro, não foi problema algum para este humilde degustador, haja vista que desce que é uma maravilha!

Fazendo um parêntese, no início do ano tive a oportunidade de comprar duas garrafas pequenas da norte-americana Dogtoberfest, a versão ianque deste estilo produzida pela cervejaria Flying Dog. Também sazonal, foi, de longe, a melhor das Flying Dog que já provei. Apesar dos muitos elementos, é bem resolvida e desce bem, ao contrário dos outros rótulos da mesma cervejaria, geralmente lupulados em demasia.

Aliás, tive a curiosidade de pesar a caneca cheia, resultando em aproximadamente 2,5 kg. Ou seja, ao beber no canecão de dimensões avantajadas, o cidadão automaticamente queima uma parcela das calorias ingeridas. Bom, não?

Um pouco de história
A origem da festa remonta a 1810, quando, na cidade de Munique, se organizou uma corrida de cavalos celebrando a união de Luis I da Baviera com a princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen. O evento foi realizado em um parque longe do centro, prontamente batizado de Theresienwiese, em homenagem à noiva. Já o estilo Oktoberfest também é conhecido por Märzen – março, em alemão – pois era impossível produzir cerveja no verão, já que não existia meio de refrigerar a bebida. Sendo assim, a fabricação de cerveja era encerrada nos primeiros dias da primavera. Esta cerveja era então guardada durante a primavera e verão em cavernas, para ser finalmente consumida nos festejos de outubro.