Tive o prazer de colaborar com a iniciativa do chef Checho Gonzales, que
organizou O Mercado, uma feira de comida de rua elaborada por chefs de várias
vertentes e a preços acessíveis. Aconteceu na madrugada do sábado, dia 21. Saí
de lá por volta de 2h30, a previsão era durar até as 5h00.
O interesse foi tamanho que uma longa fila se formou à porta da Galeria
Vermelho, em Higienópolis, bem ali onde termina a Paulista, do outro lado da Consolação.
Lá dentro, 14 barracas serviam comida e bebida para os famintos e insones. A segurança
permitia a permanência de 150 pessoas por vez, controlando a entrada de acordo
com o fluxo.
Diante disso, muita gente defende a transferência do evento para a
praça Charles Muller, em frente ao Pacaembu. Pode ser uma boa ideia, mas, de
qualquer maneira, é de bom tom preparar as panelas para um público ainda maior.
Numa primeira vez, se aprende muita coisa, então tenho certeza que o
próximo poderá ser mais organizado em termos de fluxo de público, compra de
fichas e, se possível, banheiros. Pode-se argumentar que estamos na rua, onde não
há banheiros, mas certamente seria um item muito bem-vindo.
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Pão com tomate confitado da Padaria Na Bicicleta. |
Os preços e os pratos servidos estavam ótimos. Não provei de tudo, pois não
haveria espaço no estômago, mas vamos lá. Comecei com uma Arepa, preparada pela
equipe do Suri Ceviche Bar (R$ 10,00). Trata-se de uma massa de milho grelhada,
escolhi o recheio de barriga de porco, muito bem temperada com cebola roxa e
outros ingredientes. Depois, fui à barraca do Checho provar um espetinho de
carne, que acompanhava milho verde também grelhado, muito bom, a carne estava
temperada com aniz estrelado (R$ 7,00). Prosseguindo, na barraca do bar Caos
Augusta, onde tomei uma Heineken (R$ 5,00) e tracei 4 mini coxinhas de camarão
com catupiry, acompanhadas de geleia de pimenta (R$ 15,00), um pouco oleosas,
mas muito saborosas, de lambuzar os dedos. A fome ainda permitiu traçar um
delicioso buraco quente do chef Carlos Ribeiro, do Na Cozinha. Trata-se de um pão
francês sem miolo recheado com picadinho de carne, muito gostoso, sabor de comida
caseira (R$ 10,00). Para acompanhar, tomei duas cervejas escocesas da Brew Dog,
na barraca da importadora Tarantino, uma Lager 77 e uma Punk IPA, (R$ 10,00
cada), bem carregadas no lúpulo, amargas, mas saborosas. Fechando o banquete,
respirei fundo e encontrei espaço para o ótimo Arroz de Puta Rica (R$ 10,00),
receita do interior de Goiás, elaborado por Janaina Rueda, do Bar da
Dona Onça. Ainda sobraram uns trocados, daí provei o cannoli de ricota com
frutas cristalizadas, de Alexandre Leggieri (R$ 5,00). Leve e agradável no
sabor, mas um pouco seco. Antes de ir embora, ainda comprei um belo pão (vide
foto), na barraca do Pão Filosófico, feito
com tomate confitado. Massa macia e no ponto certo, só faltou um pouco de
tempero. Caiu muito bem no almoço de domingo, para comer molhando os pedaços no
azeite.
Além destas barracas, havia outras opções, como o Sal Gastronomia, de
Henrique Fogaça, especialidades mexicanas por Lourdes Hernandez, entre outros. O
sucesso desse evento deixa claras duas coisas: a primeira é que São Paulo
carece de boas opções para comer depois da meia-noite. Além disso, está mais do
que na hora de haver uma atitude mais flexível por parte da prefeitura, criando
regras para a venda de comida de rua, não apenas reprimindo os comerciantes. Não
sou um globetrotter, mas pelo que já vi em programas como o Eat Street (http://www.cookingchanneltv.com/eat-street/index.html), a maioria das grandes metrópoles do mundo
oferecem diversas opções de comida de rua. É algo que reforça a cultura local e
que permite aos habitantes da cidade tomar contato com outros tipos de
gastronomia. Que venha o próximo!
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